Segunda-feira, Agosto 18, 2008

ELEIÇÕES NOS EUA/Comentário-Terra

Neste fim de semana o Terra publicou meu comentário sobre os possíveis candidatos a vice-presidente nas chapas democrata e republicana-2008, com aspas do jornalista inglês e meu vizinho Andrew Purcell, correspondente do The Sunday Herald aqui em NYC.

Aí vai:

Candidaturas a vice têm disputa acirrada nos EUA
EDUARDO GRAÇA
DIRETO DE NOVA YORK

A câmera fecha um close no rosto tenso do ator Paul Giamatti. À sua frente, a confusão impera com parlamentares do primeiro Congresso do recém-criado Estados Unidos da América discutindo sem cessar. Ele é o personagem-título de uma das séries de maior sucesso este ano nos EUA, John Adams, do canal HBO. Um dos pais fundadores da República e primeiro vice-presidente eleito do país, em 1789, Adams, afastado até mesmo das reuniões de cúpula do presidente George Washington com seus ministros de Estado, pensa se deveria voltar para sua fazenda no Massachussets, pois, afinal, seu posto era meramente decorativo, ou, em suas palavras "o cargo mais insignificante jamais criado pela inteligência humana".

Duzentos e trinta anos depois não se fala em outra coisa na campanha eleitoral americana: quem serão, afinal de contas, os companheiros de chapa dos candidatos à presidência Barack Obama e John McCain?

Com as férias de verão, as Olimpíadas ocupando todo o espaço na mídia e Obama voltando das férias no Havaí, este é o assunto político do momento. Os partidos têm até o último dia de suas respectivas convenções para apresentar os seus candidatos a vice. A convenção democrata ocorre na última semana de agosto. Na semana seguinte, é a vez dos republicanos.

Uma das razões para tamanha expectativa é a exuberância do atual vice-presidente, o ultra-conservador Dick Cheney, que, desde 2001 é um dos protagonistas mais ativos da administração Bush. "Cheney é um vice-presidente atípico, pois é ele quem manda na Casa Branca. A chamada "guerra ao terror" reduziu a influência do Congresso, e esta administração reinterpretou aspectos-chave da Constituição, deixando o Executivo ainda mais poderoso. É senso comum na parcela liberal dos EUA que Cheney, um político experiente, controla o governo Bush", diz o jornalista Andrew Purcell, correspondente do jornal britânico The Sunday Herald em Nova York.

Grosso modo, o vice-presidente tem duas funções estratégicas: presidir o Senado (e dar o voto de minerva em um caso de empate nas votações apertadas) e substituir o presidente em caso de impedimento, doença ou morte. A maior atração da vice-presidência, para fins políticos, é uma certa tradição de que o vice-presidente que trabalhou por oito anos na Casa Branca seja o candidato natural do partido da situação ao posto mais importante do governo americano.

Foi assim com Al Gore (vice de Bill Clinton entre 1993 e 2001) e George Bush (vice de Ronald Reagan entre 1981 e 1987). Cheney, extremamente impopular e com 67 anos, deixou claro que não entraria na disputa este ano. Como o mais recente candidato democrata à vice-presidência, o senador John Edwards (que foi o companheiro de chapa de John Kerry em 2004), se envolveu em um tenebroso escândalo extra-conjugal ao mesmo tempo em que sua mulher sofria de câncer terminal, a corrida para o segundo posto da hierarquia do Executivo ficou ainda mais ampla.

Do lado republicano, aparecem como fortes candidatos o ex-governador Mitt Romney, de Massachussets, que ficou em segundo lugar nas primárias do partido, e os governadores sulistas Charlie Christ (da Flórida), Bobby Jindal (da Louisiana) e Mark Sanford (da Carolina do Sul).

Romney, aos 61 anos, foi o mais forte adversário de McCain na disputa interna do Partido Republicano, mas tem se dedicado com tal ânimo à campanha de McCain que o senador de Arizona saiu-se com uma deliciosa tirada: "Romney está se empenhando mais por mim do que por ele mesmo".
O ex-governador de um dos Estados mais liberais do país traria para a campanha uma experiência em economia que é o tendão de Aquiles de McCain. Com a recessão em pauta, contar com o auxílio direto de um homem de negócios bem-sucedido pode ser importante na hora de se pescar votos em áreas que sofrem mais com a crise econômica. Por outro lado, Romney é mórmon, o que pode complicar a vida de McCain com um de seus eleitorados mais fiéis, os evangélicos, e tem se esforçado além da conta, na opinião de muitos republicanos, pelo posto.

Dos dois governadores sulistas, o que tem mais projeção nacional é Charlie Christ, que herdou o governo da Flórida de ninguém menos do que Jeb Bush, o popularíssimo irmão de George W. Com o aumento do voto hispânico não-cubano no Estado, a Flórida voltou a ser considerada um "swing state", ou seja, pode pender para um lado ou para o outro e decidir as eleições de novembro. Ao contrário de Romney, no entanto, Christ não é um social-conservador, sendo favorável ao direito de aborto, à união civil para pessoas do mesmo sexo e às pesquisas com células-tronco.

Já Bobby Jindal é a grande estrela jovem da direita americana. Aos 37 anos, ele seria um antídoto aos que vêem McCain como um candidato cansado, que assumiria a Casa Branca com 72 anos. Também conta o fato de que é conservador ao extremo e ganhou projeção com a reconstrução de seu Estado, profundamente afetado pela tragédia do furacão Katrina. Mas há um senão geográfico aqui: ninguém duvida que McCain vencerá com folga os Estados do sul e que a grande batalha se dará ao norte e a oeste. E o recente anúncio de que o ex-governador Mike Huckabee fará um talk-show no canal Fox, do qual ele já é comentarista político, parece ter diminuído a possibilidade de o mais eloqüente político sulista também ser convidado para disputar a vice-presidência por McCain.

Também surgem, ainda que com menos intensidade, mas alavancados pelo aspecto geográfico, os nomes do governador de Minnesota, Tim Pawlenty (extramente popular na região dos Grandes Lagos, mas visto com desconfiança pelos conservadores) e do deputado ultra-conservador Rob Portman, de Ohio, Estado que decidiu as eleições de 2004, com uma apertada vitória local (contestada por muitos) de Bush sobre Kerry. Para se ter uma idéia, as principais pesquisas, hoje, dão uma vantagem de quatro pontos percentuais para Obama em Minnesota, e colocam McCain à frente em Ohio por seis pontos. Ou seja, a batalha, nos Estados da região, tende a ser voto a voto.

No lado democrata, a principal estrela, senadora Hillary Clinton, dificilmente será escolhida pelo comitê de Barack Obama para formar a chapa da oposição. Com 18 milhões de votos nas primárias mais populares da história do país e uma aceitação entre os eleitores brancos de classe baixa que Obama ainda sofre para conquistar, ela poderia formar a chamada "chapa dos sonhos" com o senador de Illinois. Os problemas são as feridas deixadas pela primeira fase da campanha e a possibilidade de Hillary voltar a disputar a presidência contra McCain em quatro anos, no caso de uma derrota democrata em novembro. "A animosidade entre as duas campanhas foi tão intensa que é comum você ler, no site de Obama, apoiadores entusiasmados afirmando que 'não devemos oferecer nada para esta mulher'. Minhas apostas, hoje, são a governadora do Kansas, Kathleen Sibelius, que apoiou Obama desde o início, e os senadores Jim Webb, que serviu no governo Reagan e é tão especialista em defesa nacional quanto contrário à guerra do Iraque, e Evan Bayh, de Indiana", diz Purcell.

Webb e Bayh ainda contam com o fato de serem de dois Estados importantes na luta eleitoral. Webb é da Virgínia, que é o Estado sulista em que os democratas têm mais chance de vitória, por conta da migração interna e do aumento de eleitores de origem hispânica, e Bayh de Indiana, no meio-oeste, que pode influenciar importantes Estados vizinhos e com dados demográficos semelhantes, como Ohio e Pensilvânia.

Também de Virgínia é o governador Tim Kaine, talvez hoje o mais forte candidato. Eleito em 2005 com uma plataforma moderada, ele é um católico devoto de 50 anos, contrário ao direito de aborto, e formado, assim como Obama, pela Universidade de Harvard. Mas são suas semelhanças com o candidato presidencial seus pontos mais fracos - a inexperiência legislativa e sua timidez em temas relacionados à defesa nacional e à política externa. Por outro lado, ele é fluente em espanhol e sua atuação no massacre de Virginia Tech, no ano passado, quando conversou pessoalmente com as famílias das vítimas e com cada estudante que passou pela traumática experiência de ver um de seus colegas atirar contra alunos, funcionários e professores, foi considerada exemplar.

Correndo por fora ainda estão o ultra-experiente senador Joe Biden, de Delaware, mais cotado no entanto para ser o futuro poderoso secretário de Estado em um governo Obama, e o governador do Novo México, Bill Richardson, mais importante líder hispânico do país. Analistas garantem que o voto hispânico será decisivo para o resultado de uma eleição tão disputada.

O candidato a vice-presidente do Partido Democrata, seja quem for o escolhido, está escalado pelo partido para fazer um dos principais discursos da convenção que dura entre os dias 22 e 29 de agosto em Denver, no Colorado.
Até agora já estão confirmados como palestrantes Hillary, Richardson e Bayh. Será esta uma pista de que o vice de Obama é um dos três? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Sábado, Agosto 16, 2008

E Ainda Mais: Caymmi, por Bethânia & Terra Trio (1969)

E Ainda Mais Caymmi ('Carmen em slow motion')

Papo de Baiano, mas de bahiano mesmo, com H. Dorival e Caetano, via Leon Hirszman. Uma delícia:

Mais Caymmi, com Carmen

Caymmi...

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

ENTREVISTA/Peter Carey

No Valor Econômico, neste fim de semana:

Hugh, uma descoberta
Por Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York
15/08/2008

Sentado no confortável sofá cinza de sua sala de estar, as mãos passeando pelo tornozelo, Peter Carey, o celebrado escritor australiano, não se assemelha em nada a seu alter ego, o pintor Michael Butcher Boone, anti-herói de "Roubo - Uma História de Amor", recém-lançado no Brasil. Seu loft no SoHo é decorado de forma austera, não há obras de arte em grande escala e sua delicadeza só se rompe quando solta um som gutural que alavanca uma gargalhada destas de parar o trânsito da Broadway com Canal, uma das esquinas mais movimentadas de Manhattan, a uma quadra de seu silencioso refúgio nova-iorquino.

O leitor brasileiro familiarizado com a literatura de Carey - um dos dois únicos escritores (o outro é o sul-africano, exilado na Austrália, J.M. Coetzee) a receber duas vezes o prestigiado Booker Prize, por "Oscar e Lucinda" e "A História do Bando de Kelly" - o encontrará novamente mergulhado no jogo de espelhos do falso-e-verdadeiro, aqui representados por um roubo em que um quadro aparentemente verdadeiro de um grande pintor desaparece ao lado da casa em que vive o protagonista do romance.

Butcher Boone é um artista nascido na mesma cidade e no mesmo ano que o autor. Este é o romance que permitiu a Carey, de 65 anos, usar com maior liberdade sua memória. Não que o outro narrador do livro - Hugh Boone, o irmão retardado e obeso de Butcher - seja alguém relacionado ao passado do autor. Mas o livro, e especialmente o atormentado Hugh, possibilitaram um reencontro do escritor, 18 anos depois de se mudar para Nova York, com tiques, gírias, sons e atitudes de sua Austrália natal, "este país peculiaríssimo, onde temos a todo momento a noção de que nos apropriamos da terra de seus verdadeiros donos".

Sociedade colonial que nascia na mesma época em que o continente americano iniciava seu processo de independência das potências européias, a Austrália de Carey é tão pulsante quanto os Estados Unidos que ele vê da janela do SoHo, "um país aterrorizante, antes mesmo de ser governado pelos criminosos de agora". E é sobre o caleidoscópio de sua obra e de sua realidade que ele conversou com o Valor.

A seguir, trechos da entrevista:


Valor: O sr. está animado com o lançamento de "Roubo" no Brasil?
Peter Carey: Mais do que animado. Fico pensando que nunca fui ao Brasil. Tenho amigos que já foram a Paraty e me dizem que eu preciso conhecer, que a Flip [Festa Literária Internacional de Paraty] é especial. Se o pessoal da feira continuar me convidando, vou acabar indo. O que pesa, hoje é a idade...
Valor: Na prova da editora brasileira, do título original em inglês - "Theft: a Love Story" - faltava o subtítulo "uma história de amor". E o livro dá conta de várias paixões ao mesmo tempo...
Carey: Sim, dos dois narradores, um pelo outro (o pintor Butcher e seu irmão Hugh), de Butcher por Marlene e, também, do amor desses personagens pelas artes plásticas. De qualquer modo, mesmo nos Estados Unidos, o livro ficou conhecido apenas como "Theft" e sei que há pessoas que acreditam que você nunca deveria escrever "uma história de amor" em lugar algum [risos].


Valor: "Jack Maggs", "A História do Bando de Kelly", "Minha Vida", "Uma Farsa" e "Oscar e Lucinda" são romances históricos. Quando estava terminando "Roubo", o sr. disse que este seria seu primeiro romance contemporâneo, que estava promovendo um reencontro seu com a Austrália atual. Foi esse seu impulso para escrevê-lo?
Carey: Não, mas esse reencontro foi um enorme alívio. Nas coisas que ainda posso captar daqui de longe e em parte do livro, coisas que são baseadas em situações que vivi, em casas que morei. Não sou como Butcher, que precisa destruir tudo o que vem de seu passado. Tenho grande afeição pelos anos em que vivi na Austrália. Foi um processo tão prazeroso que fiz Butcher nascer no mesmo ano em que eu, em 1943. E não tive de pensar muito para preencher os detalhes. Eu sabia até os horários dos trens.


Valor: Antes de escrever "Roubo", o sr. voltou a Baccus March, a cidadezinha a oeste de Melbourne onde nasceu e onde se passa parte da ação do livro?
Carey: Sim, mas nada é tal como era. Escrevo sobre um lugar que não existe mais. Minha namorada, que é inglesa [a editora Frances Coady, estrela da "Granta" e da "Picador"], ficou chocada com o que viu. O lugar era muito mais aprazível do que fiz parecer no livro.


Valor: Há também a linguagem que Butcher usa...
Carey: Sim, ele não é exatamente o mais elegante dos homens. Mas escrever naquela linguagem, repleta de profanações, sobre artes plásticas, não poderia ser mais australiano. E nunca havia visto aquele tipo de linguagem mais chula usada dessa maneira, nesses círculos. Talvez seja esse o aspecto mais contemporâneo da minha experiência com "Roubo": o uso da linguagem.


Valor: O sr. é celebrado pelo experimentalismo com a linguagem. Na versão original, a brincadeira com os títulos de tablóides de jornais usados no meio da fala de Butcher e de Hugh é sensacional, mas na tradução esses recursos não perdem força?
Carey: É claro que perdem. Mas essa é a natureza de quando se lê em outras culturas. Não tenho dúvidas de que quando li "Cem Anos de Solidão" em inglês, e foi uma experiência maravilhosa, deixei de captar muito da essência do livro. Apesar de o livro de García Márquez ter tido um efeito fortíssimo em mim, ao mesmo tempo deixei de entender muitas coisas. Mas como evitar isso? Não podemos deixar de lembrar que os melhores livros e as melhores traduções também devem oferecer espaço para interessantíssimos erros de interpretação. Por que não?


Valor: O sr. tem lido bastante fora do mundo anglófilo?
Carey: Sim, mas se a próxima pergunta é de que autores brasileiros contemporâneos eu mais gosto, a resposta é não tenho lido, não [risos]. Mas li recentemente dois austríacos que, de alguma maneira, são próximos do que tenho escrito ultimamente, Joseph Roth (1894-1939) e Gregor von Rezzori (1914-1998), ambos traduzidos do alemão para o inglês. São belíssimas traduções.


Valor: O que pode dizer especificamente sobre Hugh, o irmão com problemas mentais, gordo, que vira um dos narradores?

O personagem de linguagem desabrida, verdadeiro "museu de gírias", deu ao autor o sentido que ainda faltava para definir seu novo livro

Carey: Ele nasceu depois de eu começar a escrever "Roubo". Estava extremamente feliz com a voz que havia achado para Butcher, mas os capítulos que ia escrevendo vinham tão facilmente que comecei a achar que aquela narração era uma armadilha. Estava me divertindo demais com Butcher. Ao descobrir Hugh, encontrei o livro que estava escrevendo: as múltiplas histórias de amor que você me fez destacar no começo da conversa. E Hugh contradiz Butcher de maneira tão interessante que acaba alargando o tema do livro e, claro, as possibilidades de brincar com a linguagem, que me é tão cara. Hugh é um museu de gírias australianas. Várias palavras que ele usa já desapareceram do dia-a-dia do meu país. Ele se diverte falando aquelas palavras. E eu também.


Valor: Então quando o sr. está escrevendo, se algo vem muito facilmente, a suspeita de que não é essencial é imediata?
Carey: É o que eu chamo de "showing-off". São aquelas coisas que parecem arte, mas não são. Para mim, para ser arte, em literatura, os personagens precisam ter uma boa razão para existir. Agora, dois anos depois de publicado, estou certo de que todos os seres que habitam "Roubo" lá estão por motivos claros, mas houve um momento, antes de Hugh, em que eu tinha de descobrir o sentido daquela história. E quando escrevi através do ponto de vista de Hugh por três, quatro vezes, percebi que havia encontrado meu livro. Quando vi que ele poderia contar a história daquela família de modo completamente diverso da de Butcher, soube que aquele era o caminho.


Valor: Outra personagem marcante é Marlene. No começo do livro há uma cena extremamente erótica em que Butcher, digamos assim, se encanta pelos sapatos Manolo Blahnik da misteriosa loura. Foi uma homenagem às avessas às mulheres de Nova York, obcecadas pela moda?
Carey: A verdade é que me arrependo muito de ter usado o nome da marca. Sabe que ainda não sei como pronunciar o sobrenome do Manolo? O que gosto é da noção de que Butcher, aquele homem peludo, forte, grosseirão e zangado, se vê no mesmo aposento em que está aquela mulher belíssima, cujo carro atolou em frente da sua casa, e seus sapatos chiques. E ele limpa os sapatos dela de modo especial. É um ato estranho, não? Não sei de onde veio e posso lhe garantir que não foi uma experiência pessoal.


Valor: O sr. já vive nos Estados Unidos há 18 anos. Nova York é sua casa?
Carey: É sim, inevitavelmente. Cresci em um mundo diferente, no qual as pessoas tinham apenas uma casa. Hoje em dia, é cada vez mais comum, com a imigração para os centros urbanos do mundo, ter dois lares. Não penso mais na minha realidade como uma contradição. E é difícil imaginar que escritor eu seria se não tivesse vindo para cá.


Valor: O sr. já afirmou que os Estados Unidos o deixam nervoso, mas Nova York o deixa feliz. É isso mesmo?
Carey: Agora mais do que nunca. Os Estados Unidos me deixam nervosíssimo. São um país aterrorizante e já o eram antes mesmo de ser governados por criminosos, como agora. Vivo em um país onde o presidente, o vice e boa parte de seus assessores deveriam ser julgados como criminosos de guerra. Agora todos esperamos por um retorno ao que podemos chamar de "normalidade americana", o que quer que isso seja, provavelmente ainda essencialmente imperialista. Do jeito que está, me dá calafrios. Sobre as eleições de novembro, creio que ainda não sabemos de fato quem é Obama. Ele é um centrista, não tem nada de radical, mas quem sabe se revelará de fato um líder? Vamos ver. Votarei nele.


Valor: O sr. vota nos Estados Unidos?
Carey: Tenho dupla cidadania. Voto aqui e na Austrália. Mas acho que, no caso dos Estados Unidos, todos deveríamos ter o direito de votar para presidente. O mundo deveria poder ter este direito básico de decidir quem comanda o império.


Valor: O sr. é diretor-executivo do programa de redação criativa do Hunter College, em Nova York, um centro universitário conhecido pelo corpo discente multiétnico. Lecionar é uma atividade tão essencial para o sr. quanto escrever?
Carey: Decidi tornar-me professor quando cheguei aos Estados Unidos para ficar, para ter meu "green card", para poder oferecer a meus filhos uma boa educação. Mas aí me apaixonei pelo Hunter College, um lugar em que, na graduação, você tem o maior número de estudantes de classe social mais baixa e de segundas gerações de imigrantes em Nova York. Tenho um programa pequeno na pós-graduação, dou uma aula por semana, um semestre por ano. Adoro meus alunos, que vêm de todos o cantos e têm experiências sensacionais para dividir comigo.

Valor: O sr. escreveu o roteiro de "Até o Fim do Mundo" para Wim Wenders, um dos maiores fracassos de crítica do diretor alemão. Como descreveria sua parceria com ele?
Carey: [Rindo muito] Quando o conheci, estávamos em Londres, em 1985, almoçamos, e foi um almoço ajantarado, pois ele levou três horas para me contar a história que queria que eu escrevesse. Ele tinha a idéia na cabeça, nada muito concreto. Passei três anos tentando conseguir descobrir o que ele queria dizer. Sou um romancista, não um roteirista, vai ver por isso demorei tanto a entender. Então, quando finalmente terminei o que achava ser um bom roteiro, Wim simplesmente recortou tudo e fez o que queria desde o início, acho. Fiquei possesso. Mas depois fui a Berlim, vi o filme e pensei que era aquela velha história da nova mulher que pensa que vai mudar o marido porque ele, agora, está com ela.


Valor: Ele continuaria a ser o mesmo Wim Wenders...
Carey: Exato. E Wim faz apenas o que está a fim de fazer. Não posso reclamar. Bebi bons vinhos, viajei para cima e baixo, fiquei em vários hotéis e me diverti muito. E a querida Soveig Dommartin (1961-2007), a protagonista, uma senhora atriz que morreu no ano passado de um ataque do coração aos 45 anos, só me deixou boas recordações.


Valor: Depois de "Roubo", o sr. lançou em fevereiro, nos Estados Unidos, "His Illegal Self", sobre um jovem chamado Che que é forçado a sair da redoma de vidro de seu apartamento para conhecer os percalços da vida. E agora, o que está preparando?
Carey: A melhor definição que já ouvi sobre um romance é "um trabalhão com um problema no meio". Pois é isso mesmo o que percebo agora. Posso adiantar que meu novo livro se passa no passado, em vários países, e dois temas centrais serão democracia e cultura popular. É isso.

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

A Hora do Desabafo

Enquanto isso, no Brasil...

Terça-feira, Agosto 12, 2008

CARTA CAPITAL/Quando o Jazz Jaz

A Carta Capital que está nas bancas saiu com minha reportagem sobre a dificuldade por que passam os músicos de jazz nos EUA por conta da recessão. São casos e mais casos de artistas abandonados por Uncle Sam.

Fundamental foi a conversa que tive com o pessoal da Jazz Foundation of America (JFA) e com os músicos - os três da foto, pela ordem, o sensacional Jimmy Norman, um dos compositores do hit Time Is On My Side, a queridíssima Lodi Carr, a Joaninha do Jazz, e a espoleta mato-grossense Sissi Verdi, que tem um vozeirão impressionante (conhecida quem anda de metrô todo dia aqui na cidade). Importante frisar que descobri o trabalho da JFA, uma associação que recoloca os músicos no mercado de trabalha e presta todo tipo de assistência - hospitalar, habitacional - que o Estado, na primeira economia do mundo, se abstém de fazer, através do colunista do Village Voice, e fanático por jazz, Nat Hentoff.

Segue o texto:

QUANDO O JAZZ JAZ

MÚSICA Os Estados Unidos do showbizz milionário relutam em socorrer os ícones do passado. Restam as Fundações.

POR EDUARDO GRAÇA,
DE NOVA YORK


É impossível desviar o olhar. A primeira imagem que se vê no apertado quitinete em que Jimmy Norman vive no Upper West Side, em Manhattan, é uma foto sua com Keth Richards. O compositor de 70 anos foi um dos autores do primeiro hit dos Rolling Stones, Time is on My Side. O detalhe triste da história é que a faixa que chegou ao top six das paradas norte-americanas jamais rendeu centavos a mais para Norman.

Quando a notícia de que Norman estava sendo despejado do apartamento por falta de pagamento do aluguel chegou à Jazz Foundation of América (JFA) os poucos pertences do artista que participou do histórico grupo de doo-wop The Coasters estavam encaixotados. Ele dormia em uma cadeira de plástico. A saúde, debilitada depois de dois ataques cardíacos, o impedia de se apresentar na noite nova-iorquina, seu principal ganha-pão desde os anos 70, quando se tornara uma das estrelas do cultuado Harlem River Drive de Eddie Palmieri, com seu mix de salsa, jazz, funk e soul.

“Durante muitos anos tive vergonha de dizer que a letra de Time Is On My Side era minha. Não queria que as pessoas tivessem pena de mim”, diz, olhando para os chinelos de dedo que protegem os pés cobertos por longas meias de algodão apesar do calor opressor do verão nova-iorquino.

Norman foi um dos
beneficiados pelo fundo de emergência criado pela JFA para ajudar músicos em dificuldade financeira. O aluguel foi pago e o tratamento de saúde regularizado. A faxina feita por dois voluntários da ONG trouxe à tona uma preciosidade: uma fita-cassete com a primeira sessão de Bob Marley nos EUA, aos 23 anos, sob a batuta de Norman, a pedido do cantor Johnny Nash, dono do selo JAD.

“Gravamos a fita em meu antigo apartamento no Bronx. O sonho de Bob, naquela época, era ser o novo James Brown”, conta. As oito músicas (três da lavra de Norman), resultantes de três dias de trabalho, foram adquiridas por 26 mil dólares num leilão na Christie’s. Assim ele pôde comprar dois computadores, montar um estúdio caseiro e gravar o CD Little Pieces, lançado pelo selo inglês Wildflower. “Meu próximo disco será uma retribuição à JFA, com o lucro destinado à ajuda de outros músicos que vivem desesperados, como um dia estive.”

Com a Crise Econômica, a Situação dos Músicos Pobres, que Já Andava Ruim, Piorou

Um concerto anual no histórico teatro Apollo, no Harlem, é a principal fonte de renda da Jazz Foundation. Este ano, Norah Jones, Bill Cosby e outros 50 artistas buscavam angariar fundos para músicos norte-americanos sofrendo de forma intensa os males da recessão. “Você ouve o tempo todo que a situação econômica aqui nos EUA está caótica, que a hora é de apertar os cintos. Imagine como ficam os que já viviam em dificuldade antes da crise explodir?”, pergunta Wendy Oxenhorn, diretora-executiva da JFA, organização sem fins lucrativos criada em 1989.

Na ante-sala do escritório de Oxenhorn, um senhor negro de meia-idade, saxofone em punho, procura assistência. Ele quer saber se a JFA pode ajudá-lo a encontrar trabalho. Alguns minutos depois a entrevista é interrompida por outro instrumentista em busca de uma geladeira para enfrentar o calor. “Este foi um baixista que tocou com todo muito importante e teve pólio aos 58 anos. Ficou esquecido e alguém falou para ele da JFA”, conta Oxenhorn, lembrando que a maioria dos músicos não autoriza a revelação da identidade.

A cantora Lodi Carr é exceção. Uma das musas do renascimento do Jazz nos anos 50 em Nova York, cujo disco Ladybird (1958) é vendido por 50 dólares nas lojas de vinil da cidade, não se importa de falar dos tropeços. Dos muitos nomes que surgem de sua memória pródiga nenhum é louvado como Dizzy Gillespie. Quando estava tratando de um câncer que o mataria em 1993, o mago do trompete criou um fundo voltado a músicos no Hospital de Englewood, em Nova Jérsei. Desde então, sem custo para os pacientes, a JFA envia músicos para serem tratados lá.

Na JFA, os artistas estão em todas as pontas do processo. O médico-chefe de Englewood é um baixista amador. Wendy Oxenhorn toca harmônica como ninguém e chegou à fundação depois de ver um anúncio em um jornal, quando se apresentava nas estações de metrô. Sob as ruas de Manhattan, ela conheceu a mato-grossense Sissi Verdi, 80 anos, cabelos longos, a voz grave e a batida de violão característica dos apaixonados por Baden Powell.

Sissi tocou, em uma trajetória que a levou aos quatro cantos do mundo, como Cavour e Camila Benson. Hoje, recebe uma ajuda mensal de 200 dólares da JFA e vive em um prédio administrado pelo Social Security americano. Depois de duas décadas tocando nos metrôs, Sissi conseguiu se aposentar nos EUA e recebe subsídio de 400 dólares por mês para remédios “Tenho saudades do Brasil, mas quando poderia ter casa, medicamentos e até alimentação incluídas na pensão?;”

Cidade Dura: Lodi Conhece Outra Nova York: 'Amigos Sofrem'

Para Lodi Carr, no entanto, Nova Iorque revela sua face mais dura para artistas que viraram a casa dos 60. “A maioria dos meus amigos estão sofrendo com a recessão. As coisas ficaram ainda mais difíceis. Na JFA, têm atendido 500 casos por ano relacionados a músicos de minha idade. Não acho que tende a diminuir”, diz.

Oxenhorn lembra que, nos EUA, a relação entre miséria e arte é mais íntima do que se pensa. E revela que conseguir doações das grandes estrelas da música, ou mesmo a participação no concerto anual da fundação, é tarefa das mais complicadas.

Mas há também histórias com final feliz, como a do músico que tocou em vários álbuns de Frank Sinatra, pegou uma pneumonia aos 71 anos, ficou impossibilitado de fazer suas noites nos clubes de Nova Iorque e acabou despejado. Foi encontrado pela JFA morando em um carro. Hoje, paga as contas com a própria música.

Mas todos são casos que revelam o descaso pela cultura popular em um país rico como os EUA, com um showbizz repleto de milionários. Daí a missão da JFA, como descreve o crítico musical Nat Hentoff, do semanário Village Voice, ser a de ‘regenerar as vidas de artistas abandonados, cuidando de suas necessidades básicas’. “A idéia inicial era criar um museu do jazz, mas surgiram histórias de vários músicos que seguiam impossibilitados de se apresentar, de nomes que fizeram parte da vida cultural de Nova Iorque e estavam esquecidos”, diz Oxenhorn.

Ela lembra que o fim da era de ouro do jazz levou ao desaparecimento de inúmeros clubes e casas noturnas. O processo de desregularização dos sindicatos, aprofundado pelos sucessivos governos republicanos, aumentaram a necessidade de criação de um organismo como a JFA. Uma de suas principais iniciativas é levar músicos como Norman, Carr e Verdi para apresentações em hospitais, asilos e orfanatos.

De acordo com Oxenhorn, desde 2005, após a tragédia do furacão Katrina, quando centenas de artistas se viram desalojados da noite para o dia e a fundação se popularizou, o número de músicos assistidos subiu para 3.500 ao ano. Em Nova Orleans, a fundação criou um fundo de 1 milhão de dólares voltado para os shows. “Eles trabalharam duro a vida toda e nos fizeram um bem enorme, compuseram a trilha sonora de nossas vidas. Não há como não pensar em ajudar estas pessoas que querem, essencialmente, continuar a mostrar sua arte para o público”, diz.

A diretora da JFA é uma máquina. O treinamento na harmônica a presenteou com uma capacidade de falar de modo polido, mas sem grandes pausas para respirar. Quando encasqueta com alguma idéia, parece impossível demovê-la. “Adoraríamos estabelecer uma parceria com artistas brasileiros, por exemplo. Imagine uma noite musical beneficente juntando artistas do jazz daqui com músicos que se dedicaram aos vários ritmos brasileiros, como o baião, xote, forró? Não seria o máximo?”. Ou, como se diz em português, não daria samba?

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Mutantes Na Tevê Americana

o dia inteiro. Por conta do tema escolhido pelo McDonald's para sua propaganda - a versão deliciosa de Ela É Minha Menina, de Jorge Ben. Ó só:

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

ENTREVISTA/Brendan Fraser

A Contigo! desta semana sai com a entrevista vapt-vupt que fiz com o Brendan Fraser, ator principal de A Múmia 3, que estréia nos cinemas brasileiros hoje. Ele foi simpático, ainda que um pouco, como direi, estabanado. Ó só:

Brendan Fraser
Ele ama múmias, mesmo!
Brincalhão, Brendan diz que dá para o gasto como ator e que a cinessérie A Múmia lhe garante lugares em restaurantes badalados

Por Eduardo Graça, de Nova York

Não há restrições com o ator Brendan Fraser, 39 anos, prestes a virar um quarentão. Ele pula de cadeira, faz uma imitação estranhíssima de seu herói favorito, Indiana Jones, e ri sem jeito em uma suíte de um hotel em frente ao Central Park, em Manhattan, Nova York. Ele mais parece seu personagem George, O Rei da Floresta, do filme homônimo de 1997, do que Rick O'Connell, o herói da terceira versão de A Múmia, agora com o subtítulo A Tumba do Imperador Dragão, que estréia nos cinemas na sexta-feira.

Nesta entrevista a Contigo!, o ator respondeu a tudo na maior simpatia e irreverência - apesar de sair de um divórcio complicado com a autora Afton Smith, 40, com quem tem três filhos (Griffin, 5, Holden, 4 e Leland, 2 anos). Brendan, que estrela também Viagem ao Centro da Terra, em versão 3-D, ainda em cartaz nos cinemas, não se leva a sério. No novo filme, Rick, seu personagem, agora tem uma nova e linda companheira no lugar de Rachel Weisz, 37. É Maria Bello, 41, que faz Evelyn, a mulher do herói. Mas e a múmia, desta vez, quem é? Um imperador chinês interpretado por Jet Li, 45, de Romeu Deve Morrer. Confira o papo.

É bom ser um ator que enfrentou múmias três vezes?
Dá um sentimento de identidade instantânea. Todo mundo me diz: ''Você é aquele cara da Múmia (risos)!''

E isso é positivo?
Algumas pessoas dizem que você perde algo ao se identificar tanto com um personagem. Não concordo. A Múmia me abriu várias oportunidades e até me deu, veja só, a chance de conseguir duas mesas no Nobu (famoso e concorridíssimo restaurante japonês de Nova York) sem muito esforço (risos). Sério, acho que A Múmia não me impediu de fazer filmes diferentes, igualmente importantes para mim, como Deuses e Monstros e O Americano Tranqüilo. Mas, sejamos sinceros, filmes precisam de público, e o público gosta de A Múmia. O primeiro filme, pelo menos, foi extremamente popular. E aí decidimos fazer o segundo igualzinho ao primeiro - mas não conte isso para ninguém, por favor (risos)! E agora resolvemos fazer algo completamente diferente, na China do pósguerra. Eu juro que este vai ser diferente, tá?

Em seu website oficial (www.brendanfraser.com) você fala muito em educação e experiência...
Quando criança, por causa do trabalho de meu pai, viajei muito pelo mundo, o que me fez ficar mais confortável comigo mesmo em qualquer tipo de lugar ou situação. Ajudou a me colocar em uma posição, muito cedo na vida, de ter de me educar o tempo todo. Ah! Lembro de quando andava pelo British Museum (o ator viveu em Londres quando criança), eu morria de medo de todas aquelas múmias lá. Meu Deus, elas eram, de fato, pessoas mortas (risos)!

Conselhos para jovens atores?
Hoje a maioria das pessoas parece interessada nos tais 15 minutos de fama. Será que elas se perguntam o real motivo pelo qual estão interessadas em atuar? Eu não tive escolha. Não há outra coisa que eu saiba fazer, tinha de ser ator.

Você se considera um grande ator?
Digamos que eu dou para o gasto (risos). Garanto que invisto tudo o que posso no trabalho e procuro acrescentar algo original ao filme.

Você vai fazer 40 anos. Alguma diferença ao encarar um herói como Rick com esta idade?
Ah, a minha idade (risos)! Sim, é claro que é diferente. Eu tinha 30 quando fiz o primeiro filme. Tive de me preparar ainda mais agora. E saí todo cheio de escoriações, não teve jeito (risos) . Quando eu estudava teatro me disseram que atuar é queimar calorias (risos) .

Aos 40, chegou aos objetivos que almejava no começo da carreira?
Não. Sinto que estou começando a atingir alguns deles agora. E hoje, honestamente, minha meta principal é continuar trabalhando.

Seus filhos curtem A Múmia?
Não deixo eles assistirem. Eles ainda estão na fase Bob Esponja, sabe? Agora tenho uma boa história sobre George, o Rei da Floresta (1997). Uma vez, no aeroporto de Singapura, senti algo me cutucando no ombro. Quando vi, era uma criança, toda feliz, falando: ''George, George (risos) !'' E eu, desesperado, pensando: ''Cadê a mãe desta criança?'' Vai ver este é meu personagem definitivo, sabe? O George!

Você também fotografa (o site do ator tem várias fotos). Continua investindo em fotografia?
Sigo fazendo fotos nos sets de filmagem, mas não é uma segunda carreira. Para mim é uma maneira de revisitar cenas que realmente amo. Cheguei a ter algumas galerias interessadas, fiz uma exibição dedicando os fundos para organizações não governamentais, mas sou um ator. Não sou como o ator Jeff Bridges (58, ator de Susie e os Baker Boys), que fez um álbum, com cenas de bastidores do Homem de Ferro, que é genial. Estou longe disso, sou só um amador.